terça-feira, 22 de setembro de 2009

Deixei de te amar. - ficção

Você me pergunta que horas são. Mas me pergunta me olhando de um jeito tão penetrante que não sei responder. Às vezes te amo, ás vezes te acho uma puta.
Estou atrasada. Bebo o último gole de café e vou trabalhar. Mas estou cansada de interpretar esse roteiro péssimo. Me esgotou esse comercial. Me esgotou minha profissão. E tenho certeza que nesse exacto momento você me trai. Não sei porque, mas tenho certeza. Aí lembro da minha infância quando eu era só inocente e acreditava em tudo que me falavam (e realmente ainda não acredito?). Quando a felicidade não era um objetivo, mas uma vivência. E tenho mais raiva ainda do que faz comigo. Odeio melodramas não quero parecer tão frágil, mas que porra está acontecendo?
Vou te matar. Arrumar um revólver e PA! Sem pensar duas vezes.
Mas você vai ter que estar dormindo porque aquele olhar... Vagabunda! Meu namorado é um macho mas me sinto melhor quando o trato como uma dama arrombada. Me sinto mais mulher que ele e não hesito em o culpar por minhas frustrações.
Eu transo bem. Não transo? Então porque você urra de prazer toda vez fazemos? É , talvez seja isso: você ainda me quer só pelo sexo. Mas eu sou uma boa companhia! Quase não demonstro ciúmes, te deixo livre sem realizar perguntas, faço seu almoço, lavo suas cuecas, invisto em carinhos e presentes... presentes! E sexo. É isso. É isso que ainda te conecta a mim.
Eu sei que não é sincero seu amo porque já escutei você com outra. Voltei mais cedo para casa e já na porta ouvi gemidos. Não entrei, fui da uma volta e te comprei um presente: uma garrafa de tequila, o líquido que você mais idolatra. Depois achei uma marca de batom vermelho nos nosso lençóis. E eu não tenho batons dessa cor, odeio vermelho. Só uso rosa. Ah e tem mais! Outro dia te liguei e você atendeu bufando. "Corri para atender o telefone eu tinha ido comprar cigarros". Mentira. Você odeia correr para qualquer coisa. E aquele loira que ligou em casa? Não me perguntem como sei que era loira. Mas era.
E por que eu não fiz nada? Por que ignorei isso tanto tempo? Não sei. Talvez covardia, talvez preguiça, talvez medo. Tenho medo de perder seu olhar. É uma das únicas coisas que ainda amo em você. E o jeito como fuma. E seu cabelo bagunçado quando acorda de manhã. A voz rouca... E só. Não amo mais nada. E de hoje não passa.
Atiro o detergente do comercial no chão, pego minha bolsa e corro para casa. Porque eu sim, adoro correr. No caminho vou procurando a ácido sulfúrico guardado em minha bolsa para minha ocasião especial. Eu sabia que ia usa-lo e não foi precipitado pegar um pouco com minha amiga da industria química. Chego em casa e paro dois segundos na frente da porta. Os gemidos são os mesmos da semana passado e a loira ligou ontem. Então coloro meus lábios com o meu batom rosado. Entro sem receios e lá estão os dois com cara de bobos. Como se eu já não soubesse. E fim.
Fazia tanto tempo que eu não tomava um café nessa padaria chique da esquina! Acho que vou passar meu resto de tarde aqui, comendo esse muffin.

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